Relevos do sempre presente

_MG_7641 copy.jpg

Uma das coisas que me chama mais atenção sobre a desatenção é como o mundo pode ficar chato quando estamos desatentos. Eu, por exemplo, me considero desatento quando me distraio em meus pensamentos e não percebo os relevos do momento que estou vivendo.

O problema é que nossa mente tem uma habilidade incrível de sobrepor “camadas virtuais” sobre aquilo que está bem diante de nós. Ou ainda pior, nos tirar totalmente do momento presente. Sinto que quanto mais atenção damos aos pensamentos, menos relevo tem nossa realidade. Mais chato fica.

Nossa mente pode ser brilhante ao criar realidades em pensamentos. Realidades aparentemente melhores daquela que nos cerca. Mas se formos atentos, vamos perceber que é no presente que a vida apresenta sua melhor versão. Toda cheia de relevos.

Os cheiros, os sabores, os olhares, as expressões do corpo, a respiração, os corações batendo, as dores e amores, a temperatura, a percepção sobre a luz, os micro animais, as plantas, os detalhes que nos cercam, cheios de beleza e potência criativa, ganham espaço em nossa leitura da realidade se estivermos atentos. Estar atento aos detalhes do presente, de alguma maneira, me parece uma poderosa atitude para acessarmos as informações disponíveis ao nosso redor e com elas os ensinamentos que a vida tem pra hoje.

Mesmo que nosso entorno pareça feio, confiar na vida é acreditar que “agora” é a melhor versão da vida para o presente.

Eu desisti de imaginar presentes melhores do que o agora. Eu quero mesmo é me entregar aos relevos dessa vida presente, do jeitinho que ela se apresentar. E a vida não tem falhado em me mostrar que quanto menos eu desejar meus pensamentos, mais presentes vou receber no aqui e agora.

É preciso estar atento e forte. É como olhar para a lua. Quanto mais você olha, mas detalhes vê.