O campo mágico dos espelhos e outros benefícios do vegetarianismo

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Ou: amor ao dono da JBS.

Vitalidade. Um ser vibrante e silencioso. Por silencioso descrevo um estado físico e mental que não sofre desconfortos digestivos, gases, dores de cabeça, preocupações, aflições, indigestões, constipações. Um corpo silencioso é um corpo que não dói das “dores evitáveis” e não nos distrai com ruídos ou pontadas surpresa.

Um corpo são é um corpo profundamente sensível. Ciente de si, fluindo com naturalidade todos os seus fluídos, vive intensamente porque tem seus sentidos aguçados e ativos.

Esse corpo saudável, cheio de vida, consome menos venenos, percebe os sabores e sente com mais clareza os efeitos daquilo que consome. Nesse exercício de se perceber em silêncio, de notar os efeitos da suas ações, surge o campo mágico dos espelhos.

O campo mágico dos espelhos é o lugar onde nós somos reflexo de tudo e tudo é reflexo de nós.

Ora, se percebo claramente os efeitos do que consumo, daquilo que planto dentro de mim, pelo reflexo fica mais fácil de perceber os efeitos do que planto no ambiente em que vivo. Se perco vitalidade quando tomo remédios para as dores, entendo que o mundo perde vitalidade quando recebe veneno para pragas.

O problema é que o ruído gerado pelo que consumimos e o descuido com nosso “corpo” diminui nossa capacidade de perceber nosso ambiente — “interno” e “externo”. Daí a consequência quase inevitável de um belo dia — nós e o mundo — nos encontrarmos cheios de pragas para as quais a única solução seria mais veneno. Um ciclo vicioso.

Então, se podemos escolher o que consumimos, o façamos com atenção. E com atenção iremos observar as sementes que plantamos crescerem. Poderemos reagir com mais energia e vitalidade às pragas que por ventura surgirem. O silêncio aumenta e os menores sinais passam a ser ouvidos, nos dando tempo para respostas naturais, sem a necessidade dos “remédios”.

Como podemos esperar um planeta saudável quando os nossos corpos estão doentes? Como podemos esperar a consciência sobre o que estamos fazendo com a Terra de pessoas que não cuidam de seu próprio território/corpo? Como rezar por um mundo “Lixo Zero” sem que rezemos primeiro por humanos “Lixo Zero”?

Sou vegetariano porque sou egoísta e decidi cuidar de mim mesmo. Mas aí esse mundo dos espelhos surgiu e vai vendo… Descobri o óbvio. Cuidar de mim é cuidar do planeta. Cuidar de mim, pelos reflexos que vejo, é minha melhor escola de como cuidar do mundo.

Agora, se você sabe que consome veneno e mesmo assim quer consumir. Se não está nem aí pra sua saúde e pro que acontece no ambiente a sua volta. Se você não tem compaixão pelo massacre dos animais e da floresta. Se você vai encher “a cara” de carne hoje e foda-se o mundo, tenho algo a dizer:

{ No fundo, bem no fundo, por trás de todos os seus quereres, de alguma maneira, você quer a paz e a felicidade. E nisso estamos juntos. Nossas diferenças não são excludentes. Vamos encontrar a harmonia e, tomara, poderemos celebrar a vida longeva e saudável. Vez ou outra inclusive, porque não, honrar nossa celebração com a morte de algum animal suculento. Mas hoje meu desejo é que o silêncio possa trazer discernimento para que possamos perceber que o “sistema inteiro” que consumimos quando pomos um bife no prato está consumindo também nossa floresta. E que sem floresta não há paz e felicidade, bro. }

Desejo amor para todos os seres. Até pro dono da JBS.

Que todos possamos observar melhor o que estamos plantando em nosso corpo — ou planeta. Que vejamos os ciclos e sejamos capazes de transformar à nós mesmos, primeiro, nesse campo mágico de espelhos.

Somos, assim como a Terra, territórios sagrados onde tudo o que se planta gera frutos. Vai plantar o que?